Entrevista com Aline Sant Ana





1-      Você começa a escrever com um vislumbre do clima, atmosfera, ambiente, ou tudo acontece no "escrever" mesmo?

R: Para descrever o cenário da história (ambiente) faço pesquisas por semanas. Preciso conhecer visualmente o lugar, mesmo que apenas por fotos, pois isso é fator primordial para não cometer gafes por aí. A pesquisa é necessária para o estilo de romance que escrevo e dificilmente tomo atitudes impensadas, baseadas no meu impulso. Sou um pouco perfeccionista.

2-       Há escritores que reescrevem sempre o mesmo livro. Temendo isto, você muda de gênero como troca de camisa?

R: Penso em mudar de gênero e mergulhar em outros projetos. Tenho uma distopia planejada na cabeça e também uma fantasia, mas isso é para o futuro.
Por enquanto vivo para escrever as histórias dos meus personagens sobre o gênero New Adult.

3-      Falemos de cama: adormecendo lhe vem uma ideia, deixa para pensar no dia seguinte ou levanta-se de um salto, alucinado?

R: Minha cabeça gosta de ter várias ideias na hora que vou dormir ou quando geralmente não posso escrever.
Quando isso acontece me levanto (não importando a hora e o lugar) e corro para o Word (se possível) a fim de não perder a inspiração.
A situação mais inusitada que aconteceu comigo foi quando estava na casa da minha sogra.
Sem computador nenhum e no meio de uma reunião familiar, tive que improvisar. O plano era dormir a noite para acordar bem para o almoço de Natal, mas quem disse que dormi? Minha cabeça girou tanto sobre um romance policial que fiz o roteiro e só terminei às 5h00 da manhã. Escrevi no caderno da minha cunhada e passei para o Word assim que pude.

4-       Seus julgamentos de valor são influenciados pelo calor da hora ou você mantém um distanciamento crítico?

R: Sou impulsiva, geralmente faço tudo no calor do momento e só depois consigo criar uma opinião crítica a respeito. Não é fácil ser assim porque isso bate de frente ao perfeccionismo. Ainda luto para me manter distanciada e utilizar a favor do aperfeiçoamento da minha escrita.

5-      Sentimentos negativos como ódio, ciúme, inveja, vingança são motores bem regulados para a criação de uma obra?

R: Depende da obra. Eu gosto de intrigas, ciúme, vingança... Acho que se trabalhado bem você consegue deixar a história ainda mais interessante.

6-      O que faz quando sente que uma personagem lhe escapa?

R: Leio do Prólogo até o último capítulo escrito e não paro até encontrar onde foi que eu errei. Geralmente isso acontece quando eu quero uma coisa e o personagem não quer. Parece loucura dizer isso, mas é verdade. Vejo meus personagens como pessoas que possuem características únicas. Se está acontecendo um atrito em algum momento é porque eles não querem que eu siga aquela linha. O que eu faço? Obedeço. Volto e não tenho medo do botão “delete”.

7-      Quando percebe, porém, que a personagem está fraca, que as ideias estão murchas, você recomeça ou adota a ironia em relação a elas.

R: Recomeço. Se a linha que tomo não anda legal... Não reaproveito nada, pois isso vai misturar ao meu julgamento inicial e não ficará fiel.

8-      Cercado de baixo-astral por todos os lados, insiste em escrever porque...

R: Escrever me faz feliz. Não existe qualquer outra atividade no mundo que ame mais do que escrever. Ler, talvez. Mas escrever me ganha.

9-      A técnica é tudo, nada, meio caminho andado? Aliás com quem aprendeu?

R: Técnica é meio caminho andado. Já vi muitos autores com muita técnica e pouca inspiração. Isso sempre me incomodou, como o contrário disso também. O meio termo é o ideal.

Aprendi na tentativa e erro. Lendo muito, buscando informações na internet, conversando com pessoas do gênero e tendo amigas maravilhosas que não se cansam de me ajudar no desenvolvimento da história.

10- Escrever é só inspiração?

R: Não. Escrever é pesquisa, técnica (como disse ali em cima), amor e dedicação. É necessário muito mais do que uma boa ideia na cabeça para conseguir enviá-la para o papel.

11- Quando atacado pela preguiça, como você consegue combatê-la?

R: Tento não forçar. Se estou me sentindo indisposta, vou ler um livro, assistir um filme, conversar com as amigas, sair com o namorado, brincar com a minha cachorrinha. Se a inspiração não bate, não adianta. Prefiro estar totalmente mergulhada na história para sentir que estou dando o meu máximo.

12- Quando inicia um texto sabe antecipadamente seu conteúdo?

R: Sim. Sou adepta aos roteiros gigantes e detalhados.

13-  Tem algum escritor em que se espelha?

R: Vários! J.R Ward, Jamie McGuire, Colleen Hoover. Gosto muito da escrita da Norah Roberts. Tem também Sidney Sheldon, Jojo Moyes... Sinto-me pecando ao citar alguns, tenho vontade de dizer toda a minha biblioteca. 

14- Um escritor está sempre absolutamente consciente do que faz?

R: Não. Os personagens guiam a gente, nós só seguimos as batidas. É divertido e uma sensação muito boa. Não há nada como você sentir que quem está na direção não é você.

15-  Qual foi o seu primeiro e decisivo ato literário?

R: Eu escrevo há anos, mas quando peguei Regras da Atração quis fazer tudo conforme uma receita de bolo. Quis elaborar um roteiro bem descritivo, estudar os personagens, cenário e me dedicar ao máximo. Acho que Regras da Atração foi o primeiro livro (que era uma fanfic), que quis que desse certo. Me apaixonei pela ideia no instante em que estava na minha cabeça e foi paixão à primeira “vista”.

16- Quando começou a escrever, já fazia planos de seguir carreira?

R: Não! Na realidade, escrevia para passar tempo. Comecei muito nova. Com letras de música, para ser sincera. Depois teve um diário, teve poesias, teve textinhos em blog e tumblr. Por fim, fanfics. Agora, olhar para trás me faz pensar o quanto tudo me guiava para esse caminho que me vi cega por tanto tempo... Eu queria ter mergulhado de cabeça desde a primeira vez.

17-  Em caso de dúvida, impasse, descrença, você se aconselha com quem? (amigos, editor, leitor beta, etc)

R: Minhas amigas, família, namorado e leitores betas. Quando bate aquela dúvida, mando arquivo para todo mundo e não fico satisfeita até eles estarem. Afinal, apoio é imprescindível.

18- Música de fundo e café são indispensáveis?

R: Sempre! Adoro café e música. Tem combinação melhor? Talvez chá e música...

19- Afinal qual o prazer do texto?

R: Ler é viajar sem sair do lugar.
Você conhece culturas diferentes, pessoas dissemelhantes, vidas diversas e personagens apaixonantes.
O texto, para me conquistar, tem que ser visual, envolvente, aquele tipo de história que você não dorme até descobrir o final, que você tem inveja da mocinha, que você quer se apaixonar pelo mocinho... É aquele tipo de história que te faz perder o ar ao ler. Esse é o prazer. Algo que nem os melhores filmes, músicas e seriados podem conquistar.

20- Para você como é escrever?

R: É uma espécie de amor sentido e não dito. Um relacionamento que sei que terei pela a vida toda, independente do que o futuro me reservar. É saber que os meus leitores podem experimentar a alma dos personagens, viver cada linha, se encantar por cada página. É esforço, dedicação e disciplina, mas também paixão, emoção e tudo o que há de mais de incrível nesse mundo. Escrever é deixar a minha essência, pouco a pouco, para cada leitor e ter a certeza de que recebo isso em dobro a cada sorriso, lágrima e carinho retribuído.

Sem meus leitores e todo o apoio que recebo a minha vida não seria tão mágica.

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